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DOSSIÊ CIMENTO

 

 

Presença constante no dia-a-dia de uma obra, esse material aparece em todas as suas etapas, da argamassa de assentamento às grandes estruturas de concreto. Conheça sua história, os tipos utilizados na construção e as indicações para comprá-lo e armazená-lo.
 



Você já deve ter ouvido falar em CP I, CP II, CP III... É verdade, existem vários tipos de cimento. Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), todos servem para qualquer obra (exceção para o de poços petrolíferos) - as diferenças na composição os tornam mais indicados a determinados empregos . As variedades surgem com alterações na proporção dos ingredientes (clínquer e gesso) e adição de outros materiais ao processo de moagem. São fabricados seis tipos de cimento. "A disponibilidade no mercado pode variar em cada região, pois depende da matéria-prima local", explica Marcelo Chamma, diretor comercial da Votorantim Cimentos. De forma geral, os mais utilizados em obras comuns são o CP II, o CP III e o CP IV. Todos, porém, apresentam diferentes classes (25, 32 e 40), que estão associadas à resistência à compressão. "Com cimentos de classe maior, o consumidor pode otimizar o traço, ou seja, fazer o material render mais. Mas, para obter uma receita adequada ao uso, ele deve antes consultar o serviço técnico oferecido pelos fabricantes por meio dos telefones impressos na embalagem", ensina Francisco de Assis Mezzalira, técnico da Holcim. Os produtos podem ser encontrados em pacotes de 25 e 50 kg. Há tipos disponíveis também em 40 e 42,5 kg; ou sacos pequenos, de 1 e 5 kg, geralmente de cimento branco não estrutural, ou CP II.
 

Conheça os diferentes tipos de cimento e suas aplicações:

Cimento Portland Comum (CP I): é puro, sem nenhuma modificação. Tem custo alto e menos resistência. A produção é praticamente toda dirigida à indústria.

Cimento Portland Composto (CP II): aplicado em todas as fases da construção, disponível com três diferentes adições. O CP II - Z, com material pozolânico, serve para fossas sépticas, por exemplo. O CP II - E vem com escória de alto forno, ideal para estruturas que possam ser atacadas por sulfatos. O CP II - F leva material carbonático, ótimo para pisos e tijolos de solo-cimento.

Cimento Portland de Alto-Forno (CP III): feito de escória da indústria do aço, é menos poroso e mais durável. Pode ficar exposto a esgoto e chuva ácida. Usado nas fundações.

Cimento Portland Pozolânico (CP IV): acrescido de pozolanas, é pouco poroso. Resistente à água do mar e aos esgotos. A cura mais lenta o torna adequado a grandes volumes de concreto.

Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (CP V - ARI): tem resistência alta nos primeiros dias. Como endurece rápido, pode trincar se o concreto sofrer resfriamento. Usado em argamassas e piso de cimento queimado, entre outras aplicações.

Cimento Portland Branco (CPB): o estrutural (classes 25, 32 e 40) serve para qualquer obra; o não-estrutural, para revestimento ou matéria-prima em rejuntes. Pode ser colorido com pigmentos.



Como comprar e armazenar
• A ABCP concede selos aos cimentos conformes com as normas de qualidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). "Testamos os produtos antes que recebam o selo na embalagem", conta Arnaldo Battagin, geólogo da ABCP. Há 107 produtos aprovados.
• A durabilidade do cimento é de três meses; assim, evite comprá-lo muito antes do uso. • O cimento pode empedrar com a umidade. "A embalagem não é impermeável. Guarde-a em local fechado, seco e coberto", afirma Arnaldo. Para conservar, coloque-a num saco plástico bem fechado e empilhe no máximo dez pacotes sobre tablado de madeira afastado 30 cm do piso e das paredes.
• Quando o empedramento é superficial, afofe a embalagem. "Como esse estado indica que o cimento sofreu reação com a umidade, não pode ser usado para fins estruturais", diz o geólogo.

MEIO AMBIENTE. As fábricas de cimento precisam de licenciamento ambiental para funcionar. A ABCP checa se a emissão de gases poluentes respeita os níveis definidos pela legislação brasileira. Outras medidas para diminuir o impacto no meio ambiente são a utilização de filtros que retêm até 99,99% da poeira e o emprego de tintas e pneus usados como combustível dos fornos, propiciando economia de óleo.

 

 

O concreto, resultado da mistura do cimento com areia, pedra e água, revelou-se um ótimo material construtivo por sua dureza, ajudando no crescimento das cidades, desde o final do século 19, embora nos Estados Unidos e na Europa o aço predominasse nas construções. Aqui, como as siderúrgicas apareceram apenas por volta de 1920, o concreto teve maior difusão: "No Brasil, esse material está presente em praticamente todas as fases da obra", diz Bruno Mendes Dinis, consultor técnico da Cauê. O cenário mundial mudaria com a Segunda Guerra, quando a produção do aço se voltou para a indústria bélica e a falta do material levou ao replanejamento dos projetos. A Unidade de Habitação de Marselha, na França, é um marco dessa fase. Seu autor, o arquiteto franco-suíço Le Corbusier, teve de adaptá-la ao concreto. "Ele subverteu a monotonia dos pilotis criando um sistema de apoios inclinados, grandes e expressivos. Assim, a estrutura de concreto passa a participar ativamente da forma final da construção", conta o arquiteto Álvaro. O novo conceito influenciou decisivamente a arquitetura moderna brasileira, que começava a explorar as possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado, como na Igreja da Pampulha (Belo Horizonte), projetada por Niemeyer na década de 1940. Suas formas abobadadas são um exemplo da flexibilidade oferecida pelo material, que continua sendo trabalhado pelo mestre em suas obras.

Pronto para uso
Transportado em betoneiras, ele pode ser comprado por qualquer pessoa, desde que a quantidade corresponda a um volume mínimo e tenha as especificações feitas por profissional gabaritado. "Ao encomendar, o consumidor deve informar qual é a resistência e a consistência do concreto, o número da brita utilizada e como será descarregado", diz Carlos Massukado, gerente técnico da Companhia Brasileira de Concreto (CBC), empresa da Camargo Côrrea Cimentos e Equipav. Também deve definir quanto concreto quer (o pedido mínimo é de 3 m3), que peça concretará, o horário em que o material deve chegar à obra (precisa ser usado no máximo duas horas e meia após preparado na usina) e como será o transporte no canteiro. Tudo isso é determinado em contrato.

QUEM É QUEM
. Há 58 fábricas de cimento no país, que pertencem a vários grupos industriais. Conheça os oito maiores grupos e suas marcas: VOTORANTIM: Aratu, Itaú, Irajazinho, Poty, Tocantins e Votoran JOÃO SANTOS: Nassau CIMPOR: Bonfim, Cimbagé, Zebu HOLCIM: Alvorada, Barros, Ciminas e Paraíso CAMARGO CORRÊA: Cauê LAFARGE: Campeão, Mauá, Montes Claros e Ponte Alta CIPLAN: Ciplan ITAMBÉ: Itambé.

 

 

Fonte: Revista Arquitetura e Construção - Setembro-2006